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Alone

Fonte: we heart it
   Abriu-se a porta da sala, nem no meu próprio quarto posso dormir derivada à cor de carvão que cobre as paredes, "carvão" que penetra mais ainda em cada dia chuvoso. Entra a minha mãe com um "são horas de acordar" na sua expressão facial, nem é preciso dizê-lo porque já sei que chegou a hora de me levantar. A almofada encontra-se molhada, devo ter adormecido a chorar. E assim começa mais um dia como os outros. Não sinto a mínima vontade de ir para a escola, como costume. Nem é pelas aulas chatas, os intervalos são mais chatos ainda. Têm duração de dez ou quinze minutos, mas mais parece que duram horas.
   Intervalos estes que seriam mais rápidos se os passasse acompanhada com a minha turma a rir-me às gargalhadas com as palhaçadas de alguns deles. O tempo vai passando devagar, até à próxima aula, porque fico sozinha a um canto, ao pé da sala, ou sentada nas escadas, acompanhada apenas com a minha música para fugir aos barulhos exteriores e à música ruidosa que toda a gente gosta de ouvir. Faltam poucas semanas para acabar o ano. O resto passou a correr e o que falta vai demorar uma eternidade. Agora que estou sozinha tudo o resto vai ser mais demorado. Porque eu escolhi, mais uma vez, o caminho da solidão, sabendo que me sentia muito melhor acompanhada com os outros? Há coisas que acontecem na vida que nos fazem mudar de opinião sobre os outros, infelizmente, na maioria dos casos, para pior. Na realidade as pessoas não são o que demonstram ser, têm duas, três, quatro ou cinco caras, e nunca demonstram a verdadeira. Confesso que eu também não demonstro a minha verdadeira cara, mas não sou como os outros; não tenho comportamentos camaleónicos em que demonstro ser uma coisa e por trás ser outra. Não demonstro quem realmente sou por não conseguir confiar nas pessoas à minha volta. Porque não consigo confiar? Deve ser por já ter sido muita vez magoada pelas pessoas em que confiei.

PS: Versão adaptada de um texto escrito ano passado. 

Quero viver!

Fonte: we heart it
   Esse dilema não me sai da cabeça, nem muitos outros. Tenho o sonho de algum dia encontrar a minha felicidade e viver a minha história. Até agora não tenho tido vida própria. Sinto-me como se fosse um recipiente vazio, sem alma, sem vontade. Mas sou alguém; tenho a minha existência. Tenho nome, número nas finanças (e um dia pagarei impostos), número de eleitor... hoje em dia pouco importa o nome das pessoas, mas o seu número. Sei que sou alguém, mas preciso de "viver", não de fazer o que me pedem/mandam na escola ou em casa e de comer, beber e respirar para sobreviver. Quero viver as minhas alegrias, tristezas não pagam dívidas e já chegam as que tenho e para o resto do mundo pouco ou nada importam, superar as minhas metas, concretizar os meus planos. Mas nada disso consigo fazer, ao menos por agora que estou neste labirinto. Tem horas que o poço se torna num labirinto ou ao contrário. Continuo perdida nos meus tormentos, mas agora já vejo pelo menos as paredes.
   Encontro-me num beco sem saída. Resta-me voltar atrás e ir procurar outro caminho. Voltei a encontrar outro beco, e outro, e mais um. Não tem saída! Essas paredes parece que se multiplicam; não devem ser sólidas. Toquei; estão fixas e são mais sólidas que um rochedo. Vejo algo nessas paredes escuras. Textos gravados na minha língua. O que será? Parecem ser pensamentos, memórias e ideias de alguém que passou por aqui. Tem o meu nome gravado. Serão as minhas memórias? De repente, uma das paredes abre-se e sai de lá uma luz muito intensa. Um vulto negro aparece à minha frente. O que me vai acontecer agora?

PS: Texto escrito ano passado, mas que ainda é a minha realidade.

Melancolia

alone
Fonte: flickr

    Não sei o que fazer. O meu desespero é  tão grande que já nem cabe dentro de mim. Não consigo conter mais as lágrimas quando penso nestas coisas que me atormentam. Só quero que alguém me ajude. Alguém que me ouça e que compreenda o que sinto. Sinto-me sozinha numa multidão. Não consigo expressar o que sinto de outra forma, a não ser silenciosamente. Um silêncio que dentro de mim é um grito de desespero.
    Não sei o que fazer. Estou a chegar ao fim de um poço. Lá em baixo é escuro, muito mais escuro que o próprio breu. Nem com uma pequena luz consigo ver para onde estou a cair. Tenho a sensação que estou a chegar ao fundo deste poço, mas não sei a que velocidade estou a penetrar nele e às vezes duvido da existência desse fundo do poço. Quero parar de o descer, mas não consigo sozinha. Preciso de ajuda para subir. Cada passo que dou, caio um metro, ou dois, não sei e pouco me importam os metros que caia. Só sei que quero subir. Lá em cima é muito mais agradável. Quero sentir o calor do sol, - aqui em baixo é demasiado frio - ouvir o cantar das aves, - aqui em baixo nem a minha voz ouço - ver as diferentes cores do mundo à minha volta, - aqui em baixo só existe o preto da escuridão - o azul do céu e do mar, o amarelo do sol, o verde das árvores, as múltiplas cores das flores!
   Quero subir o poço, mas não sei como fazer. Sei que para o subir preciso de me libertar destes tormentos e assim ficarei mais leve; tão leve que poderia voar. Oh, voar seria óptimo! Conseguiria sair daqui num instante, até mesmo tocar nas nuvens ou ir mais longe ainda... tocar na lua! Mas isto é tudo uma ilusão, um sonho bonito. Fiquei um pouquinho mais feliz; devo conseguir subir agora um pouco este poço. Dóiem-me demasiado as mãos para subir. Dói-me mais ainda o coração e este me impede de dar mais um passo. Será cansaço? Não. Tenho falta de algo que está dentro de todos nós. Não é força física, mas também não a tenho. É algo que consegue ser mais poderoso que a força física ou a gravidade. É o éter que juntamente com o âmbar consegue erguer montanhas. Falta-me a minha própria vontade. Na verdade tenho-a, mas encontra-se apagada. Só se iluminará com outra vontade igual ou idêntica à minha. Haverá alguém no mundo com esse tipo de vontade?

PS: Este texto foi escrito no meu caderno no ano passado, por isso, não faz parte do meu actual estado de espírito.

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