Melancolia

alone
Fonte: flickr

    Não sei o que fazer. O meu desespero é  tão grande que já nem cabe dentro de mim. Não consigo conter mais as lágrimas quando penso nestas coisas que me atormentam. Só quero que alguém me ajude. Alguém que me ouça e que compreenda o que sinto. Sinto-me sozinha numa multidão. Não consigo expressar o que sinto de outra forma, a não ser silenciosamente. Um silêncio que dentro de mim é um grito de desespero.
    Não sei o que fazer. Estou a chegar ao fim de um poço. Lá em baixo é escuro, muito mais escuro que o próprio breu. Nem com uma pequena luz consigo ver para onde estou a cair. Tenho a sensação que estou a chegar ao fundo deste poço, mas não sei a que velocidade estou a penetrar nele e às vezes duvido da existência desse fundo do poço. Quero parar de o descer, mas não consigo sozinha. Preciso de ajuda para subir. Cada passo que dou, caio um metro, ou dois, não sei e pouco me importam os metros que caia. Só sei que quero subir. Lá em cima é muito mais agradável. Quero sentir o calor do sol, - aqui em baixo é demasiado frio - ouvir o cantar das aves, - aqui em baixo nem a minha voz ouço - ver as diferentes cores do mundo à minha volta, - aqui em baixo só existe o preto da escuridão - o azul do céu e do mar, o amarelo do sol, o verde das árvores, as múltiplas cores das flores!
   Quero subir o poço, mas não sei como fazer. Sei que para o subir preciso de me libertar destes tormentos e assim ficarei mais leve; tão leve que poderia voar. Oh, voar seria óptimo! Conseguiria sair daqui num instante, até mesmo tocar nas nuvens ou ir mais longe ainda... tocar na lua! Mas isto é tudo uma ilusão, um sonho bonito. Fiquei um pouquinho mais feliz; devo conseguir subir agora um pouco este poço. Dóiem-me demasiado as mãos para subir. Dói-me mais ainda o coração e este me impede de dar mais um passo. Será cansaço? Não. Tenho falta de algo que está dentro de todos nós. Não é força física, mas também não a tenho. É algo que consegue ser mais poderoso que a força física ou a gravidade. É o éter que juntamente com o âmbar consegue erguer montanhas. Falta-me a minha própria vontade. Na verdade tenho-a, mas encontra-se apagada. Só se iluminará com outra vontade igual ou idêntica à minha. Haverá alguém no mundo com esse tipo de vontade?

PS: Este texto foi escrito no meu caderno no ano passado, por isso, não faz parte do meu actual estado de espírito.

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